A faca antes da arte
Pedimos ao fornecedor o desenho de corte e vinco e montamos a arte em cima dele. Abas, colagem e área de risco aparecem desde o primeiro rascunho.
Embalagem não se aprova na tela: aprova-se com a prova impressa na mão, no papel que vai ser usado, sob a luz do lugar onde o produto será vendido.

Os dois sócios se conheceram na fila da pré-impressão, cada um segurando um arquivo que não abria. Um era de uma fábrica de doces, o outro de uma marca de chá, e o problema era idêntico nos dois.
A arte tinha sido feita sobre um retângulo qualquer. Quando o operador aplicou a faca real, o texto de validade caiu na dobra e o nome do produto encostou na área de colagem.
Desde então a ordem aqui é fixa: primeiro a faca, depois a lista do que a peça precisa carregar, só então o desenho. Parece burocrático e economiza duas semanas em toda linha.
A prova impressa entrou como etapa obrigatória alguns anos depois, quando um vermelho aprovado no monitor saiu alaranjado em cartão reciclado — e a tiragem inteira já estava pronta.
A arte nasce sobre o corte e vinco reais, não sobre um retângulo.
Tabela, lote e validade entram no layout como bloco planejado.
O que não se lê a três metros da gôndola não é informação principal.
A aprovação acontece na prova física, no material definitivo.
Quase todo atraso de embalagem nasce no mesmo lugar: a arte foi desenhada antes de alguém pedir a faca, a lista de informações obrigatórias e a amostra do papel. Aqui essas três coisas chegam primeiro.
Pedimos ao fornecedor o desenho de corte e vinco e montamos a arte em cima dele. Abas, colagem e área de risco aparecem desde o primeiro rascunho.
Tabela, lote, validade, origem e contato entram no layout como bloco planejado, não espremidos num canto na véspera.
A três metros de distância só sobrevivem três informações. Definimos quais são antes de desenhar e o resto obedece a elas.
Kraft, couché e cartão absorvem tinta de modos diferentes. A escolha do material vem antes do fechamento da cor.
A aprovação acontece com a prova física, no papel definitivo, vista sob luz fria e sob luz quente.
Sangria, marcas, cores separadas e fontes convertidas. A gráfica recebe uma pasta e uma folha de instrução, sem telefonema.
Relatos de clientes das últimas tiragens, publicados com autorização.
O estudo de gôndola impresso em tamanho real mostrou que o peso líquido estava maior que o sabor. Ninguém tinha percebido na tela.
A prova no papel kraft mudou tudo. O verde que eu tinha aprovado virou oliva escuro no material de verdade.
A lista de obrigatórios veio antes do desenho. Foi a primeira vez que não precisei espremer texto na semana da impressão.
Nove sabores com a mesma estrutura e cores diferentes. O cliente acha o nosso na prateleira de longe e escolhe o sabor de perto.
Com o desenho de corte em mãos já dá para dizer o que cabe na peça e quanto tempo a linha inteira vai levar.